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Conheço um brilhante executivo que toda vez que precisa prospectar clientes ou travar novos contatos com possíveis investidores vive um enorme conflito interno. Por ser extremamente introvertido, acaba passando noites e noites sem dormir estudando o que fazer. Mas na hora “H”, o resultado é sempre o mesmo, mal consegue pronunciar o discurso ensaiado dia após dia.

Sua timidez tanto se transformou em um eterno pesadelo na sua rotina que, por várias vezes, ele me confessou já ter até cogitado em abandonar o mundo corporativo. Não há dúvidas que os tímidos querem uma chance. Muitos terapeutas explicam que a timidez tem origem no medo da rejeição, levando-os a se sentir aterrorizados quando precisam fechar um negócio com um estranho, por exemplo.

Entretanto, o que todos precisam aprender é que o hábito de fugir das pessoas, evitar contatos, certamente vai comprometer sua carreira. No início do ano li uma reportagem na revista americana CIO, onde o “coach” Keith Ferrazzi  dizia que “o ‘networking’ era visto pelos tímidos, na melhor das hipóteses, como algo desprovido de sinceridade ou algo manipulador”. Um grande erro na minha visão.

Nem todo mundo que você conhece ou que ainda vai conhecer é ou se tornará seu amigo. Mas, se soubermos cultivar e ampliar essa rede de relacionamentos teremos mais pessoas com as quais poderemos contar em qualquer situação. Por isso, não devemos deixar que nosso network envelheça. É fundamental continuar acrescentando novos contatos, dia após dia.

Ao longo de toda minha trajetória profissional, que soma mais de 30 anos, as amizades e os contatos que estabeleci sempre foram fundamentais para que minhas idéias se transformassem em negócios de sucesso. E se há uma coisa que aprendi sobre network é que ele só funciona quando você é capaz de dar sem esperar nada em troca. Surpreendentemente, é aí que as coisas chegam para nós.

Quando, há dois anos, decidi junto com um grupo de 10 amigos criar a Confraria dos Peraltas, a idéia era apenas trocar informações sobre vinhos, descobrir os melhores rótulos. Hoje, apesar de termos como regra número 1 não falarmos de negócios, muitos casos concretos de grandes êxitos foram realizados fora dali.

Sem dúvida, o verdadeiro networking vai além de uma simples lista de contatos. Em nossa confraria, as pessoas se aproximam, se conhecem, trocam experiências.  É uma porta para quem não consegue se socializar. Somos tão unidos e dividimos tantas coisas interessantes que atraímos a atenção da imprensa. Este mês, servimos de reportagem para a revista Menu, publicada pela editora Três, a mesma da Istoé e Istoé Dinheiro.

Costuma-se dizer que ninguém pode escolher a família em que nasce. Ao contrário dos amigos. A amizade é um dos sentimentos mais nobres que existem. Nasce de forma espontânea e vai se construindo pilar por pilar. Muitos definem o networking como uma rede de contatos que você conhece e pode “usar” quando necessário. Mas se forem bem cuidadas, você consegue ir além das relações descartáveis, calcadas em interesses passageiros e vantagens momentâneas. Acreditem. Saímos da confraria sempre ávidos pelo encontro do próximo mês.

* Julio Sergio Cardozo é CEO da Julio Sergio Cardozo & Associados  e ex-Chairman e CEO da Ernst & Young America do Sul)

 

 

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