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De vez em quando uma categoria de produto sofre uma revolução. Alguém resolve deixar de acreditar nos axiomas daquele mercado específico e resolve mudar as regras. Passa a profissionalizar o marketing, a propaganda, o material de ponto de venda. Em pouco tempo aquele setor que acreditava ser completamente diferente dos outros sofre uma transformação enorme. Num piscar de olhos as lideranças mudam, mudam os consumidores, mudam as estratégias de venda. E todo mundo descobre que muito do que se imaginava ser eterno, na realidade estava apenas à espera de alguém ter coragem de desafiar as regras. Já vivi momentos gloriosos de transformação de mercados. Ao que me lembre durante minha vida profissional, já ouvi que os ramos do seguro, do cinema, de queijos, de café, de financeiras, e dezenas de outros tinham idiossincrasias que os tornavam únicos, imunes às regras da comercialização. Como se quem compra café, queijo, seguros ou escolhe um filme para assistir não fosse um ser humano com as mesmas motivações, medos, esperanças de todos da nossa espécie. Claro que há que se descobrir qual o tipo de emoção que faz alguém desejar um produto ou serviço e qual a recompensa esperada na sua aquisição. Mas as regras básicas de marketing são as mesmas, adaptadas às características de cada caso. O Brasil está vivendo uma mudança radical no comércio de livros, justamente um dos setores que mais acreditava passar ao largo das teorias do marketing. Nas quatro ou cinco vezes que estive ligado ao mercado livreiro cansei de ouvir que “livro não é sabonete”, como se isso significasse alguma coisa. Evidentemente livro não é sabonete, nem sabonete é cotonete, nem cotonete é pizza pronta. Mas aquilo que faz o sucesso na venda de um sabonete, isto é, atender às aspirações do consumidor, é exatamente o mesmo princípio que faz este mesmo consumidor comprar um livro, um cotonete, uma pizza pronta. Pois bem, no ano passado entrei para o ramo de livros. E foi em boa hora: justamente quando o mercado brasileiro maturava sua revolução. As principais editoras, as maiores livrarias, já estavam praticando o marketing com criatividade, agressividade e confiança. E resultados. Alguns grande profissionais de marketing estavam trabalhando em editoras e livrarias e estavam trazendo para o setor um dinamismo inédito. Fiz uma parte modesta nessa arrancada que fez a indústria do livro no Brasil se aproximar de mercados sofisticados como o europeu ou norte-americano. Velhos preconceitos e aforismos que garantiam que o brasileiro não lia, que o tamanho do mercado refletia a indolência nacional diante da leitura foram derrubados. Há um belo mercado no Brasil para quem edite e comercialize livros. Principalmente quem edite e comercialize livros que o brasileiro queira ler e possa comprar. Todas as editoras que eu conheço estão contratando profissionais de marketing, pagando-os se não com generosidade, com decência e respeito. As livrarias estão inovando, fazendo promoções, buscando o consumidor. As lojas virtuais crescem em taxas altíssimas e os principais supermercados descobrem que é possível aumentar o ticket médio simplesmente oferecendo além do vinho, do azeite e do patê, um bom livro, com preço que não desestimule o impulso. Só ao meu redor vi abrir nos últimos meses uns vinte bons postos de trabalho para jovens formados em universidades. A busca por bons estagiários é grande. Nos últimos tempos vários setores sofreram a mesma transformação. Estou otimista para o ano de2008. Cada vez mais empresas estão se voltando para a utilização das ferramentas do marketing e procurando profissionais bem formados. Isso é bom para nós, profissionais. E é muito bom para o mercado, para os consumidores e para a economia brasileira. É claro que eu poderia fazer uma profunda pensata sócio econômica remetendo ao lado podre do Brasil. Provavelmente seria lido com mais admiração e respeito. Mas me pediram um artigo sobre perspectivas para o mercado. E estou me preparando para um bom ano. Desculpem.
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