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Ouço em meu consultório da maioria das mulheres que atendo a mesma queixa: - Estou sem tempo para nada. Intermináveis listas de pendências as fazem vítimas da crise causada pela falta de tempo.

Os esforços femininos em conciliar agendas domésticas e profissionais são desumanos, tais  são as exigências da mulher contemporânea.

Maratonas se travam todos os dias, atividades mil que vão desde ir ao supermercado, passar na manicure, fazer uma escova, ir buscar o filho no colégio, marcar reunião de negócios no fim do expediente, preparar festa de aniversário surpresa para o marido, chegar cedo em casa, botar o neném para dormir e partir numa viagem a negócios no exterior na manhã seguinte, linda e maravilhosa, sem deixar de aproveitar para passar uns emails no blackberry.

Pergunte a qualquer mulher como ela consegue, pois as 24 horas do dia não são suficientes para suas tarefas.

Então como conseguem? Será possível produzir mais, será o tempo elástico?

Todas as mulheres acreditam nisso e continuam passando a sua vida tentando fazer de tudo um pouco.Mas, quanto será que vale para cada uma dessas heroínas do século XXI, conciliar vida privada e pública? Será que as mulheres são seres superiores e realmente dão conta de tantas funções sem afetar sua saúde emocional e psíquica?

Temos que tirar o chapéu para a capacidade feminina de produzir tempo para ser boa profissional, mãe dedicada, esposa-amante e ainda eternamente bela?

A igualdade buscada pelas mulheres nunca previu divisão nas atividades do lar. E com tanto trabalho a fazer, as mulheres se tornaram numa espécie de Faz-tudo. Os seus sintomas de stress, esgotamento e cansaço não custaram para chegar e a vilã de tudo passou a ser a TPM, tão amiga das mulheres na luta pela igualdade da classe feminina.

Vida doméstica ainda é, sim, responsabilidade exclusivamente feminina e isso não é culpa do machismo.

Como então solucionar a questão da falta de tempo?

É necessário mais do que uma nova agenda supersônica ou um palm top de última geração que contemple tantos compromissos. É preciso um mudança interna, uma mudança de valores onde as lutas por igualdade são substituídas por um convite a cooperação .

A genuína convivência pacífica entre os sexos é tudo que a sociedade precisa.

As relações interpessoais também precisam ser autosustentáveis. 

É culpa da mulher contemporânea, se não sabe delegar, renunciar, aceitar, trabalhar em equipe e administrar suas relações e seu lar de forma mais equitativa. A desculpa de que maridos e companheiros não ajudam ainda é válida para o meio rural, mas não pode ser absorvida nas cidades grandes, onde as mulheres assumem outras responsabilidades na chefia de um lar. Filhos mais velhos também devem ser convocados a repartirem as obrigações, assumindo uma parcela de responsabilidade no gerenciamento familiar.

Como fazer para modificar o acúmulo de exigências que as próprias mulheres se auto-impõem?

 

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