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Como matar uma greve

Por Jack Welch com Suzy Welch

EXAME 1 - Somos uma empresa americana e produzimos ferramentas na Ásia. Recentemente, os funcionários de uma de nossas maiores fabricantes da China entraram em greve exigindo maiores salários, embora estejamos no mesmo nível das fábricas vizinhas. Como podemos evitar esse tipo de problema no futuro?
(Ray Lin, Long Beach, Califórnia)

Para início de conversa, faça a si mesmo a seguinte pergunta: "O que teria causado esse problema?" Ou melhor ainda: "Quem causou o problema?" De acordo com nossa experiência, não importa se você está lidando com uma greve comandada por um sindicato chinês ou se um conselho de fábrica holandês ameaça esvaziar sua fábrica. Toda vez que há uma disputa dessas com o sindicato é possível identificar suas origens. Em geral, elas não têm a ver com as condições do local de trabalho, e sim com a liderança da companhia. Normalmente, o "rastreamento" do problema acaba chegando até uma ou duas pessoas: um supervisor ou um chefe de fábrica de comportamento abusivo, insensível, implicante ou reticente -- ou tudo isso junto. Basicamente, o mau gerenciamento é a causa mais provável da greve em sua empresa.

É claro que, na China, como em quase todo lugar, executivos e funcionários nem sempre estão de acordo. Haverá diferenças legítimas no tocante às regras de trabalho e coisas afins. Contudo, se você insistir com sua liderança para que ela ponha em prática dois princípios, verá que as atividades do sindicato perderão força com o passar do tempo. O primeiro princípio diz respeito à mentalidade a ser cultivada. O administrador precisa entender que o funcionário é uma pessoa igual a ele. Juntos, eles sairão vitoriosos ou derrotados. No momento em que a administração da fábrica tiver esse tipo de mentalidade, será muito mais natural para ela colocar em prática o segundo princípio: dar voz aos trabalhadores e um sentimento de dignidade.

Tudo isso é tão lógico e tão ideal que às vezes é difícil conter o riso diante desse jargão corporativo. No entanto, nem por isso deixam de ser conceitos extremamente importantes. Todos os empregados -- e não só quem carrega uma pastinha -- devem ser ouvidos. Os funcionários da fábrica precisam saber que são mais que um par de mãos e uma simples engrenagem para a empresa. Suas idéias contam. Por isso, é preciso ouvi-los -- tanto em fóruns organizados, onde os trabalhadores são encorajados a discutir formas de melhorar as operações da companhia, como informalmente, passeando pelo chão de fábrica. Nada gera mais ressentimento que um chefe de braços cruzados atrás da vidraça de sua sala, supervisionando seu pessoal do alto. Todos lá "embaixo" sabem que ele só toma contato com 50% do que acontece e ainda ganha várias vezes mais do que eles para isso.

É preciso discutir tudo com os funcionários: custos, situação da empresa no tocante à concorrência e planos de crescimento. Entretanto, talvez o mais importante seja deixar claro o que é possível e o que não é possível negociar para que todos saibam exatamente em que terreno estão pisando. Você precisa de líderes locais que não se incomodem em dialogar o tempo todo. Isso gera confiança. Em última análise, é a confiança que desmobiliza o sindicato. Quando a administração se porta de forma transparente e justa -- e os trabalhadores enxergam isso --, não há necessidade de terceiros para intermediar o diálogo entre as partes.

2 - Diz um velho provérbio que "não importa o que você sabe, e sim quem você conhece". Até que ponto isso é verdade em se tratando de sucesso profissional?
(Ling Chen, Jiangsu, China)

Pouco importa. Simplesmente não creia nisso. É claro que, às vezes, o sujeito progride porque o pai trabalhou no mesmo local antes dele com o mesmo fulano de tal; ou, então, porque tinha um colega de quarto que pertencia a uma família importante; ou, quem sabe, o indivíduo jogava golfe no mesmo clube de campo de algum executivo conhecido etc.

Os contatos são uma realidade. Quando acontecem, pessoas medíocres conseguem mais coisas mais depressa do que aparentemente mereceriam. Não há dúvida de que isso é frustrante.

Contudo, no momento em que você começa a achar que os contatos são mais importantes para seu progresso do que seu cérebro, do que muita energia positiva e muito trabalho duro, saiba que você está embarcando em uma canoa furada. E o pior disso tudo é que você inflige a si mesmo o mais terrível dos castigos: coloca-se no papel de vítima dessa situação. Você começa então a raciocinar da seguinte forma: "Não importa o que eu faça, algum idiota por aí com melhor pedigree do que eu sempre se sairá melhor".

Esse tipo de pensamento não é apenas destrutivo como também é falso. O mundo está cheio de pessoas que começaram do nada e que, graças a seu cérebro e à paixão que as impelia, foram capazes de criar os próprios contatos e conseguiram progredir na carreira. Pense nisso e siga em frente.

Sentir pena de si mesmo e achar que você é uma vítima vai levá-lo a um lugar apenas: para baixo.

 

Jack e Suzy Welch
Autores do best-seller internacional Paixão por Vencer

FONTE: REVISTA EXAME

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