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Networking Executivo

Como coach e facilitador tenho ministrado treinamentos sobre o tema de gestão de redes de negócios no qual destaco o conceito do CNO – Chief Networking Officer. Um dos princípios básicos dessa metodologia é o de que todos os recursos necessários para se alcançar metas, pessoais e/ou profissionais, encontram-se na rede de contatos dos indivíduos e das organizações. Em outras palavras, nas próprias pessoas sejam elas conhecidas ou ainda desconhecidas. É como dizem “mais importa a quem conhecemos do que o que sabemos”.

Se as metas ainda não foram alcançadas é porque (1) elas não estão suficientemente claras, (2) elas não estão bem alinhadas com nossos valores, (3) a comunicação com a rede precisa ser melhorada, (4) a rede de contatos ainda não é a ideal ou mesmo (5) existe a combinação de vários desses fatores ao mesmo tempo ou em seqüência.

Nesse sentido, a atividade de networking estruturada e profissional é de fundamental importância no mundo executivo em qualquer época. Vejamos então algumas das diversas faces da verdadeira e profícua atividade de networking executivo. Na verdade, networking é muito mais do que uma atividade. Deve ser cultivado como um hábito tão saudável quanto o de se ter uma alimentação saudável, de dormir um bom número de horas e de fazer exercícios com freqüência e moderação. Ao contrário do que se imagina, networking não é a cerca dos contatos, em quantidade e qualidade, mas sim do valor que se adiciona a esses contatos.

É fundamental entender que a oportunidade do networking ocorre a cada contato, e portanto, sempre em mão-dupla. Alguém procura estabelecer o contato enquanto a outra pessoa percebe e reage àquela abordagem. Seja o contato realizado ao telefone, ao encontrar uma pessoa na rua ao acaso ou mesmo ao enviar/receber um e-mail. Qualquer formato de contato é uma chance de se fazer networking e deve ser entendida e valorada como tal.

O networking não deve ser feito apenas em função de atender uma necessidade específica e imediata. Ao contrário, o profissional deve encarar cada contato em sua rede como uma árvore que precisa ser regada com regularidade. Sempre adicionando valor e cuidados especiais para que ela possa generosamente retornar em bons frutos num futuro breve.

Networking também é a respeito de trocas. É dando que se recebe. Imagine que toda conversa entre dois profissionais começasse com a seguinte pergunta em caráter de genuína reciprocidade “O que posso fazer por você ?” . Essa abordagem é muito mais construtiva para ambos do que o tradicional raciocínio do tipo “O que eu posso ganhar com esse contato de imediato?”. Servir para ser servido é a máxima aqui.

Outro fator fundamental em networking executivo é a habilidade de negociar. Negociação está intimamente ligada a capacidade de comunicar com propriedade sua proposta única de valor e, principalmente, de ouvir os benefícios oferecidos pela outra parte. Os ouvidos devem estar suficientemente treinados para entender tanto o que é claramente dito quanto o silêncio. A chave do sucesso aqui reside no alinhamento das expectativas entre as partes.

Uma vez que os ganhos mútuos tenham sido vislumbrados, recomenda-se que os mesmos sejam bem entendidos e acordados entre as partes. A conversa toma um rumo de “eu faço isso por você e em troca do faz aquilo por mim”. Diametralmente oposto ao tradicional “eu quero que você faça isso por mim e quem sabe um dia eu possa fazer algo por você”. Portanto, networking também diz respeito a compromisso mutuamente benéfico.

Atitude positiva é a verdadeira base de uma sólida atividade de networking. E as atitudes estão intimamente ligadas aos valores éticos e morais de cada ser humano. Os intangíveis é que fazem a diferença. Essa consolidação se dá em função dos ensinamentos transmitidos pela família e pelo propósito de vida de cada indivíduo externados através de suas paixões e ambições. Portanto, a essência maior do networking reside e começa em cada um de nós e não da rede de pessoas propriamente dita.

Por fim, verificamos também a existência do fator cultural muito importante no que diz respeito à atividade de networking no Brasil se comparado a outros países. Talvez por uma questão climática, o pessoal do hemisfério norte aderiu muito bem ao networking online enquanto que esse tema ainda tem um amplo espaço para crescimento entre nós. As comunidades de networking online são utilizadas, por exemplo, como canal de divulgação de eventos corporativos, e que normalmente, acontecem em locais fechados mas dentro de um calendário definido com relativa antecedência. No Brasil, além dos eventos tradicionais happy-hours agendados em restaurantes e hotéis, ainda existem muitas possibilidades de explorar o networking ao ar livre, e.g., caminhadas e passeios de barco entre outras atividades.

Espero com essas linhas ter chamado a atenção para sutis mas fundamentais conceitos sobre o networking executivo. Agora é apenas uma questão de dar os primeiros passos. Sucesso na caminhada !


Octavio Pitaluga Neto
CNO – Chief Networking Officer
TEN – Top Executives Net

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