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Retomada do desenvolvimento

O Brasil espera que a retomada do desenvolvimento seja o principal objetivo do novo governo e do Congresso. Sem isso, o País vai comemorar três décadas de estagnação. A retomada do desenvolvimento não depende só do presidente, ou de sua vontade política. É preciso que os parlamentares estejam mobilizados também para trabalhar em prol de um Brasil melhor, deixando de lado as diferenças partidárias.

As reformas tributária, trabalhista, previdenciária e política precisam sair do papel. Isto depende de uma grande mobilização do Congresso. Um sem número de outros projetos que se arrastam sem aprovação no Congresso também impedem o desenvolvimento.

O novo governo federal terá que fazer a sua parte, reduzindo o desperdício para que haja recursos para investir. Existe muito onde cortar. É indispensável a redução de cargos comissionados e os cortes no custeio. É preciso criar metas e programas para cada ministério. É imprescindível que sejam exigidas metas de produtividade na administração pública, não apenas no Executivo, mas também no Judiciário e no Legislativo.

Na iniciativa privada, patrões e empregados trabalham mais de quatro meses por ano só para pagar impostos. Os recursos não podem continuar a ser desperdiçados. Precisam ser bem aplicados em saúde, segurança, educação e infra-estrutura, ícones do desenvolvimento.

Estas mesmas premissas precisam ser seguidas nos Estados, principalmente no Rio de Janeiro, onde o crescimento registrado deve-se, exclusivamente, à indústria do petróleo na Bacia de Campos. Mas isto não foi suficiente para melhorar a qualidade de vida da população. Nos municípios em torno da Bacia de Campos registra-se um crescimento desenfreado das favelas e a completa falta de saneamento básico.

Grandes investimentos estão programados para o Estado do Rio nos próximos anos, com a construção do Complexo Petroquímico da Petrobras, em Itaboraí, e do pólo siderúrgico em torno do Porto de Itaguaí, com a CSA-Companhia Siderúrgica do Atlântico, a Gerdau e a CSN.

Tudo isso, no entanto, poderá ser facilmente desperdiçado se o próximo governo estadual não der continuidade. Mais de 100 dias são necessários para se abrir uma empresa no Estado do Rio. A escassez de mão-de-obra qualificada, a falta de segurança pública, de saneamento e habitação, associados às altas taxas de impostos estaduais, inviabilizam a expansão da economia fluminense.

Some-se a isso o abandono do Rio pelo governo federal, visível nas estradas e portos federais no estado. Instituições símbolos de excelência como UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFF - Universidade Federal Fluminense, Hospital dos Servidores, Hospital da Lagoa, Colégio Pedro II etc. estão abandonados.

O Rio espera que seu novo governador consiga quebrar o distanciamento com o Governo Federal para que receba recursos e ações compatíveis com os impostos federais que arrecada.

 

Francis Bogossian
Presidente da Associação das Empresa de Engenharia do Rio de Janeiro (AEERJ)

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