Após 5 baixas consecutivas, Bolsa de SP sobe 2,26%
Apesar da decepção com o resultado do PIB norte-americano, os mercados tiveram um dia de ganhos. Dessa vez, a Bolsa de Valores de São Paulo acompanhou as oscilações externas e interrompeu uma sequência de cinco pregões de baixa. Ontem terminou com alta de 2,26%, a 67.417 pontos.
Se o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA não colaborou muito, ao subir apenas 2,2% no terceiro trimestre -os analistas falavam em alta em torno de 2,8%, em linha com a prévia divulgada anteriormente-, outros números econômicos do país fizeram o contrapeso.
O resultado da revenda de moradias foi o destaque no dia, sendo bem recebido, com alta de 7,4% em novembro diante de outubro. Em 12 meses, a expansão alcançou 44,1%, segundo os dados da associação corretores de imóveis do país.
O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subiu 0,49%. A Bolsa eletrônica Nasdaq teve ganhos de 0,67%.
Na Europa, houve a divulgação da revisão do PIB do Reino Unido, que sofreu retração de 0,2% no terceiro trimestre. A estimativa anterior era de recuo de 0,3%. A Bolsa de Londres subiu 0,65%, e a de Frankfurt, 0,26%.
"A combalida economia britânica começa a respirar com maior facilidade neste segundo semestre. O resultado foi comemorado com entusiasmo por muitos investidores europeus, uma vez que aquela economia ainda apresentava sinais mais persistentes de deterioração econômica. Seus parceiros continentais, Alemanha e França, já saíram da recessão técnica, segundo os últimos dados disponíveis", diz relatório da Gradual Investimentos.
Com a proximidade do feriado de Natal, o mercado acionário brasileiro já começa a diminuir seu ritmo. Apesar da forte alta, o pregão da Bolsa registrou um volume menor de negócios, ficando em R$ 5,57 bilhões -cerca de 25% abaixo da média diária deste mês.
Ações de menor peso no índice Ibovespa registraram altas expressivas, com os investidores buscando as últimas oportunidades de 2009. O papel ON da Fibria liderou as altas, com apreciação de 7,19%. Na sequência apareceu Cosan ON, que subiu 6,69%.
No mercado de câmbio doméstico, o volume de negócios também já encolheu. Ontem as operações foram de baixas oscilações, com a moeda americana em leve queda de 0,17%, cotada a R$ 1,782. No mês, o dólar ainda computa elevação de 1,60%.
Inflação e juros
No Brasil, os analistas ficaram atentos à apresentação do último relatório trimestral de inflação do Banco Central. O documento mostrou projeção de crescimento da economia acima do esperado, de 5,8%, para 2010. O mercado tem trabalhado com alta em torno de 5%.
Diante disso, os contratos de juros futuros tiveram uma forte movimentação. No total, foram negociados 603,3 mil contratos, o triplo do dia anterior. As taxas permaneceram, de um modo geral, estáveis.
Se a economia de fato se expandir mais forte que o esperado, terá impactos na inflação, o que pode levar o BC a aumentar a taxa Selic de forma mais intensa que o previsto. A Selic está hoje em 8,75%. O mercado prevê que alcance 10,75% até o fim de 2010.
No contrato DI que vence daqui a 12 meses, o mais negociado do mercado, a taxa projetada fechou a 10,34% anuais. Com o "alerta" do BC, os investidores estarão ainda mais atentos a cada dado econômico a ser conhecido, na tentativa de antecipar o cenário de expansão econômica mais forte projetado.
Fonte: Folha de São Paulo