Bovespa garantiu alta e dólar subiu em dia de baixo volume
A semana é outra, mas a instabilidade ainda pautou os negócios nos mercados brasileiros. Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o pregão que começou com uma promessa de nova máxima acima dos 71 mil pontos terminou como dia " perdido " . No câmbio, o baixo volume ajudou a distorcer a formação de preço. Enquanto o dólar caiu no mundo inteiro, subiu contra o real. O pregão de juros futuros também foi marcado por limitada liquidez.
A agenda do dia não contou com dados de primeira linha. O mercado começou o dia reverberando a balança comercial chinesa. As exportações voltaram a subir em dezembro - foi registrada uma alta de 18%. Já as importações saltaram 55,9% no mês, puxadas pela maior compra de petróleo.
Tal notícia deu fôlego ao preço das commodities e estimulou um começo de pregão bastante otimista. No decorrer da tarde, no entanto, a compra de matérias-prima perdeu força e os agentes passaram a lidar com a instabilidade do mercado americano. Em Wall Street, o Dow Jones ainda garantiu alta, de 0,43%, e o S & P 500 subiu 0,17%, mas o Nasdaq perdeu 0,21%.
Na Bovespa, compras generalizadas levaram o índice a testar os 71.068 pontos, mas o Ibovespa terminou o dia aos 70.433 pontos - ainda assim, leve alta de 0,24%. O giro financeiro somou R$ 6,18 bilhões.
Para o diretor da InTrader, Edson Hydalgo Júnior, uma leve realização de lucros intradia conteve um alta mais expressiva. No entanto, tal resultado não deixa de ser positivo, pois mostra a consistência do mercado.
Levando em conta a resistência dos compradores e o elevado volume dos últimos dias, Júnior acredita que o Ibovespa pode ir buscar os 72 mil pontos antes de passar por alguma correção mais acentuada.
Ainda de acordo com o especialista, o Ibovespa deve superar as máximas históricas, registradas acima dos 73.500 pontos, e buscar os 75 mil pontos. Só que, antes disso, há possibilidade de uma realização de lucros, que traria o índice para baixo dos 70 mil pontos. Para Júnior, os papéis que podem ajudar o Ibovespa a fazer novas máximas são Petrobras PN, Usiminas PNA, Gerdau PN e CSN ON, ativos que estão atrasados em termos de valorização. O especialista também chamou atenção para os ativos da Plascar, empresa que atua no segmento automobilístico. Antes da crise, a ação valia R$ 12. Agora, depois de o setor registrar recorde de vendas em 2009, a ação sai a R$ 3,23. " Esse papel está com uma relação risco retorno bem aceitável. " O mercado de câmbio local não acompanhou o sinal externo, onde os agentes venderam dólares durante todo o pregão. No entanto, o baixo volume negociado tirou a importância de tal movimento. No interbancário, os negócios somaram apenas US$ 600 milhões, um quarto do observado no pregão anterior.
Depois de cair a R$ 1,719 pela manhã, o dólar comercial fechou negociado a R$ 1,734 na compra e R$ 1,736 na venda, apreciação de 0,34%.
Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar subiu 0,41%, para R$ 1,737. O volume financeiro foi de apenas US$ 10,75 milhões, contra US$ 113,75 milhões na sexta-feira.
Os contratos de juros futuros recuperaram parte dos prêmios de risco perdidos na sexta-feira. A inflação acima do previsto em São Paulo e a alteração na previsão de mercado para a taxa Selic estimularam a formação de posições compradas, mas como no mercado de câmbio, o baixo volume de negócios tirou representatividade do ajuste.
A mediana das projeções do mercado captadas pelo boletim Focus, do Banco Central, aponta que a taxa Selic deve encerrar 2010 em 11%, contra projeção anterior de 10,75%. A maior previsão para taxa de juros foi feita apesar da manutenção dos prognósticos de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), em 5,2%, e do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 4,5%.
Contribuindo também para a montagem de posições defensivas, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostrou que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) começou o ano marcando elevação de 0,48% no município de São Paulo, contra avanço de 0,18% no final do mês passado. O consenso sugeria alta de 0,37%. A sazonalidade de alguns índices, como alimentação e transportes, que captou o reajuste da tarifa de ônibus em São Paulo, explica tal comportamento do índice.
Ao final da jornada na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava acréscimo de 0,02 ponto, a 10,34%. O vencimento para janeiro de 2012 também subiu 0,02 ponto, a 11,73%. E janeiro de 2013 avançou 0,04 ponto, a 12,38%.
Entre os vencimentos curtos, julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, ganhou 0,02 ponto, a 9,13%. Ainda entre os curtos, abril de 2010 manteve 8,70%, e março de 2010 aumentou 0,01 ponto, projetando 8,67%.
Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 172.070 contratos, equivalentes a R$ 15,42 bilhões (US$ 8,86 bilhões), um terço do registrado na sexta-feira. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 67.180 contratos, equivalentes a R$ 6,10 bilhões (US$ 3,59 bilhões).
Fonte: UOL Economia