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De Olho na Bolsa: Não se iluda com as estrelas deste ano

Muitas ações tiveram ganhos de encher os olhos neste ano. Só dentro do Índice Bovespa, a valorização de várias delas supera a casa dos 100%. Algumas, inclusive, chegam a ter ganhos de 300%. Mas é bom não se iludir com retornos tão altos. Uma análise mais detalhada mostra que parte dessas ações está apenas corrigindo as quedas acentuadas registradas em 2008 com a crise internacional. "Muito da valorização deste ano é apenas um ajuste técnico da queda expressiva que esses papéis tiveram no ano anterior", diz o chefe da área de renda variável da Fundação Cesp, Paulo de Sá Pereira.

A maioria das empresas que subiu demais neste ano possui, sim, bons fundamentos, mas se fosse apenas por esse motivo as valorizações deveriam ser bem mais modestas, afirma Sá Pereira. Ele cita o exemplo das construtoras. O projeto Minha Casa Minha Vida de incentivo do governo, o aumento dos financiamentos imobiliários de longo prazo e a recuperação econômica contribuíram para o reaquecimento do setor. Mas nem mesmo todos esses fatores justificariam as expressivas altas dos papéis de algumas construtoras.

Os números provam que 2009 foi um movimento de correção de preços. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) da MMX, por exemplo, acumulam no ano valorização de 338,99% até ontem, a maior do Ibovespa. No entanto, em 2008, elas caíram 86,22%, também a maior queda dentro do índice. O mais importante é que, mesmo com a alta deste ano, os papéis ainda estão devendo. De 2008 pra cá, as ON da mineradora acumulam queda de 39,52%. O investidor nunca pode se esquecer que, quando uma ação cai, ela precisa subir bem mais para conseguir anular a queda. É isso que mostra o comportamento dos papéis da MMX - eles caem rapidinho, de elevador, mas depois sobem de escada, devagarzinho.

Outros papéis sofrem da mesma ilusão de ótica que a mineradora do grupo de Eike Batista. Eles subiram bem neste ano, mas ainda estão devendo. As ações ordinárias da Rossi Residencial sobem 299,08% no ano até ontem, mas no acumulado desde 2008 ainda caem 32,96%. O mesmo ocorre com as preferenciais (PN, sem direito a voto) da Gol, que neste ano se valorizam 160,75%, mas ainda registram queda de 40,54% de 2008 pra cá.

Quem olhasse o Ibovespa rapidamente perceberia que a alta foi boa, mas não o suficiente para o mercado ir à forra e anular de forma vigorosa as perdas anteriores. Neste ano, o índice acumula valorização de 80,83% até ontem, só que desde 2008 registra tímida alta de apenas 6,28%. A Bovespa subiu bem neste ano, mas por pouco não consegue compensar a queda de 41,22% do ano passado, explica Sá Pereira.

As pequenas se destacam

As ações de menor liquidez (conhecidas como "small caps") foram as grandes vencedoras de 2009. Para se ter ideia, o Índice Small Cap tem alta de 133,79% no ano. O fato de esses papéis estarem muito mais ligados ao mercado interno é um dos principais motivos para a valorização. A recuperação econômica brasileira começou mais cedo que a de outros países, levando com ela todas as empresas envolvidas com a dinâmica nacional. Já para 2010, essas mesmas companhias terão de mostrar resultados ainda maiores para que suas ações tenham novas altas, afirma o executivo. "Do contrário, o cenário de recuperação já está integralmente nos preços das ações." Ele acredita que alguns papéis ainda poderão surpreender positivamente. Entre eles estão os do Pão de Açúcar, após o negócio com a Casas Bahia, os da AmBev, com o aumento do consumo de cerveja no inverno por causa da Copa do Mundo, além dos frigoríficos, com o aumento da oferta de carnes. O Ibovespa fechou ontem em alta de 0,46%, aos 67.901 pontos.

Fonte: Valor Econômico

 

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