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De Olho na Bolsa: Ibovespa chega à zona de perigo

Desde março deste ano, o Índice Bovespa se encontra graficamente numa tendência de alta. De lá pra cá, o indicador sempre respeitou o suporte (piso, que pode desencadear novas ordens de compra) semanal desse longo canal de valorização. Em apenas duas semanas - na que começou em 26 de outubro e a outra em 3 de novembro -, o indicador encostou nesse nível, mas logo em seguida teve forças para ficar acima, segundo levantamento do economista-chefe da Way Investimentos e diretor do curso de relações internacionais da ESPM-RJ, Alexandre Espírito Santo. Só que na semana passada foi diferente. O Ibovespa fechou sexta-feira aos 66.794 pontos, abaixo da linha de suporte aos 68.300 pontos. É a primeira vez que isso ocorre desde março, o que é um sinal preocupante, já que mostra que graficamente o movimento de alta está perdendo força.

Apesar de ser curta, esta semana será decisiva. Para não ficar novamente na zona de perigo, o Ibovespa precisa fechar a semana acima dos 69.600 pontos, que é o novo suporte gráfico. Considerando o fechamento de ontem, aos 65.925 pontos (queda de 1,30%), o indicador precisa subir 5,57% entre hoje e amanhã, o que parece uma tarefa difícil, até porque o mercado já começar a trabalhar à meia carga, no ritmo das festas de fim de ano. "O mercado parece cada dia mais longe de voltar a ultrapassar o suporte, consequentemente, uma reversão na atual tendência de alta fica cada vez mais provável", diz o professor Espírito Santo.

Vale lembrar que ontem o Ibovespa completou o quinto pregão seguido de baixa, o que também acende uma luz amarela. Um outro sinal importante tecnicamente e que ajuda a detectar a tendência do mercado é o Índice de Força Relativa (IFR), que mostra a intensidade dos movimentos de compra e venda.

O IFR vai de 0 a 100%. Entre 80% e 100%, o mercado está sobrecomprado, o que significa que existem grandes chances de começar um movimento de queda, já que as compras estão num nível excessivo, portanto, têm tudo para perderem força. Assim como o gráfico do Ibovespa, o IFR também aponta para uma mudança na tendência de alta atual. Esse índice, que até recentemente estava acima dos 80%, na semana passada, apesar de o Ibovespa atingir uma nova máxima, o Índice de Força Relativa já tinha caído para 52%.

"Esse é mais um sinal de que o mercado esteve bastante sobrecomprado, mas esse fluxo já perdeu muita força", explica o professor Espírito Santo. Para ele, se esses dois indicadores (o IFR e o Ibovespa abaixo do suporte) terminarem a semana da forma que estão, é muito provável que o mercado reverta a sua tendência de alta, começando um longo período de baixa.

Liderança em opções

O volume da bolsa ontem foi de R$ 9,803 bilhões, mas R$ 3,963 bilhões são do exercício de opções (direito de comprar ou vender um ativo por um preço determinado e uma data previamente estabelecida) de ações. Esse é o maior volume de opções do ano, desbancando o de outubro, que foi de R$ 3,892 bilhões.

As ações preferenciais (PN, sem voto) da TAM fecharam ontem em queda de 1,26%, após o anúncio pela companhia da compra da Pantanal Linhas Aéreas por R$ 13 milhões. Ontem, a Laep Investimentos anunciou que obteve autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para recomprar as ações da Parmalat e fechar o capital da mesma. As ações ordinárias (ON, com voto) da Parmalat caíram 20,12% ontem e os Brazilian Depositary Receipts (BDRs, recibos de ações negociados na Bovespa) da Laep, 3%. Este mês, tanto os papéis da Parmalat quanto os da Laep subiram de forma expressiva e, no mercado, não se sabia ao certo o motivo disso.

Fonte: Valor Econômico

 

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