Petrobras não repassará aumento ao consumidor
A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster, disse sexta-feira que a companhia não vai repassar para o consumidor o pagamento extra pelos componentes associados ao gás natural importado da Bolívia. A empresa assinou na quinta-feira aditivo no contrato com a estatal boliviana YPFB, segundo o qual se compromete a pagar pelo menos US$ 100 milhões por ano pelas chamadas "frações líquidas" do gás, como propano e butano.
"É uma demonstração de que o Brasil é um país amigo", afirmou o presidente da YPFB, Carlos Villegas, em entrevista concedida no consulado da Bolívia, após a assinatura do contrato.
A Petrobras não promoveu nenhuma cerimônia especial para a ocasião, como costuma fazer quando são assinados contratos deste porte, em mais um sinal de que não se sente confortável com o acerto - a empresa segue determinação do governo. Em entrevista por ocasião da assinatura de contratos para o desenvolvimento de tecnologia para escoar o gás do pré-sal, Graça frisou que o aditivo também não está relacionado ao aumento que deverá ser repassado ao preço do gás a partir de janeiro, na casa dos 7%. Este reajuste, afirmou, refere-se apenas à reavaliação trimestral dos preços com base no valor internacional do gás natural. Já o termo aditivo é resultado da Ata de Brasília, assinada em fevereiro de 2007 entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Evo Morales, que na época pressionava o Brasil para aumentar o preço do gás natural.
Villegas explicou na sexta-feira que o pagamento anual será feito até que a Bolívia construa uma planta separadora das frações líquidas em território boliviano, projeto ainda sem prazo definido. A partir daí, a YPFB fica com as frações líquidas para produzir gás de cozinha.
Segundo Graça, o pagamento retroativo a 2007, de US$ 100 milhões, está provisionado e será pago em 30 dias. Os valores relativos a 2008 e 2009 serão pagos posteriormente, dentro de 60 e 90 dias, devendo chegar a um máximo de US$ 180 milhões. Os demais anos, segundo ela, ainda terão a forma de pagamento negociada.
GNLE. Quinta-feira, Petrobras e a britânica BG assinaram com as sócias no pré-sal Repsol e Galp contrato para desenvolver a tecnologia de gás natural liquefeito embarcado (GNLE) para escoar as reservas da Bacia de Santos. As empresas compuseram um consórcio, do qual a Petrobras participa com 51,1% e cada uma delas, com 16,3%. Serão desenvolvidos três projetos básicos de engenharia, que competirão ente si para serem contratados pelo consórcio.
Em 2011, o consórcio vai escolher entre construir a unidade ou instalar gasodutos na região para escoar o gás do pré-sal a partir de 2015. A ideia é processar até 14 milhões de metros cúbicos por dia, produzidos nos blocos BM-S-11 (Iara e Tupi) e no BM-S-9 (Carioca e Guará).
Fonte: Jornal do Commercio