Por Dentro do Mercado: Exportador acelera ingresso de dólares
Os exportadores aceleraram o ingresso de dólares neste final de ano e, entre os dias 14 e 18 de dezembro, trouxeram US$ 1,8 bilhão que estava em contas no exterior. Aproveitaram o real mais fraco para ampliar suas receitas. Segundo cálculos feitos pelo Valor com base nos dados do Banco Central, o US$ 1,8 bilhão é a diferença entre o câmbio contratado para exportação e o total efetivamente exportado pelo país na semana retrasada. No acumulado do mês, o total exportado foi a US$ 9,084 bilhões, US$ 377 milhões a menos do que os US$ 9,461 bilhões contratados no câmbio à vista e financiado. O movimento do final do ano é cíclico, pois os exportadores têm de fazer frente a pagamentos específicos como o 13º salário e tributos, por exemplo. Mas o real mais fraco ajuda. No dia 18, por exemplo, o dólar chegou a R$ 1,7879, bem acima dos níveis de R$ 1,70 que chegou a bater quando o governo decidiu implementar o Imposto sobre Operações Financeiras de 2% sobre o ingresso de recursos para renda fixa e ações. No dia 23, a moeda americana caiu 1,4% e fechou a R$ 1,7570, por causa de um tombo no mundo todo, mas também devido a rumores de que a Petrobras estava ingressando com US$ 300 milhões, segundo o "Valor Online". Para Sidnei Nehme, sócio-diretor da NGO Corretora de Câmbio, "o mercado está confirmando as nossas projeções antecedentes que indicavam o preço da moeda americana mais próxima de R$ 1,80 do que em R$ 1,70 ao final do ano, viés que deve ser mantido em 2010."
Na terceira semana de dezembro, o fluxo cambial foi positivo em US$ 680 milhões somente por causa dos exportadores, que venderam US$ 2,070 bilhões a mais do que os importadores compraram. O câmbio financeiro contratado (para remessa de lucros e dividendos de empresas, pagamentos de dívida ou investimento em ações ou títulos, por exemplo) foi US$ 1,39 bilhão negativo em termos líquidos.
No acumulado em 12 meses até novembro, os exportadores haviam exportado US$ 9,8 bilhões a mais do que o total de câmbio que contrataram no mesmo período. São valores altos, mas ainda assim abaixo dos US$ 14,5 bilhões que essa diferença atingiu no seu pico do ano, em junho.
Os analistas acreditam que os exportadores podem se retrair no início de 2010, fora surpresas, pois será nesse período que as empresas vão tomar mais crédito externo, lançar mais eurobônus no mercado internacional e intensificar suas emissões públicas iniciais de ações (IPOs), que contam com participação de mais de 70% dos investidores estrangeiros. Isso pode pressionar o dólar para baixo no primeiro trimestre. As companhias vão evitar possíveis tensões no mercado à medida que as eleições presidenciais se aproximam e se antecipar à redução de liquidez nos mercados internacionais que será promovida pelo Fed, banco central americano, e pelo Banco Central Europeu (BCE) ainda no segundo trimestre do ano, segundo analistas.
Esta semana que se inicia será de baixa liquidez nos mercados financeiros brasileiros e internacionais, mas alguns indicadores serão observados com atenção. Dados de dezembro do Índice de Preços ao Consumidor da Fipe e do Índice Geral de Preços do Mercado, a serem divulgados amanhã, podem impactar o mercado de juros futuros. Os investidores também ficarão atentos à divulgação pelo Banco Central, na quarta-feira, dos dados relativos ao superávit fiscal consolidado de novembro. Os economistas do BNP Paribas acreditam em um saldo fiscal primário (sem os juros) positivo de R$ 12,6 bilhões, puxando o acumulado em 12 meses para 1,45% do Produto Interno Bruto, em relação a 1% em outubro.
Fonte: Valor Econômico